
Um alerta de inteligência. Uma cifra de mobilização que nunca tinha sido tão alta. E, ao mesmo tempo, mísseis e drones caindo sobre cidades ucranianas num fim de semana só. Foi assim que terminou agosto de 2026 na guerra entre Rússia e Ucrânia. Kiev afirma que o pior ainda pode estar por vir.
Segundo um alto funcionário do governo ucraniano, a Ucrânia recebeu informações sobre um novo plano russo. A Rússia estaria planejando uma ofensiva terrestre em direção a Kiev, a capital, e também a Chernihiv, no extremo norte do país. Até agora, porém, não existem sinais concretos de tropas se concentrando perto da fronteira norte. Também não há data definida pro suposto ataque. Ou seja, o alerta descreve uma intenção identificada pela inteligência, não um movimento militar já em curso. Ainda assim, o fato de a Presidência ucraniana tornar isso público mostra o peso que o governo dá à informação.
Junto com o alerta sobre a ofensiva, veio outro dado que preocupa Kiev. A Presidência da Ucrânia afirma que a Rússia planeja mobilizar 600 mil novos recrutas. O prazo é 2026 e 2027. A conta se divide em duas levas de 300 mil, uma neste ano e outra no próximo. É o maior volume de recrutamento já anunciado desde o início da guerra, em 2022. Um número desse tamanho sugere algo importante. Moscou parece se preparar pra sustentar o conflito por bem mais tempo, e não pra um cessar-fogo próximo.
Enquanto a possível ofensiva terrestre ainda é uma hipótese, os ataques aéreos russos não pararam nem por um dia. Alertas de ataque aéreo se estenderam por um terceiro dia seguido em boa parte do território ucraniano. Mísseis balísticos, mísseis antinavio e drones suicidas voaram em ondas simultâneas. Em Kiev, o bairro de Obolon teve andares de um prédio pegando fogo depois de um ataque com drone. Em Kharkiv, um drone atingiu um posto de combustível, e um incêndio se espalhou pelo local. Já em Zaporíjia, depósitos foram alvo de um ataque que também provocou incêndio. Na região de Dnipropetrovsk, cinco distritos foram atacados quase 50 vezes num único dia. Ao menos um civil ficou ferido.
Nenhuma autoridade ucraniana cravou uma data pra essa possível ofensiva. O próprio serviço de inteligência reconhece que ainda faltam sinais claros de movimentação de tropas. Também não está claro se a mobilização de 600 mil recrutas serve pra sustentar um avanço específico sobre Kiev e Chernihiv. Pode ser, também, parte de um planejamento militar mais amplo, ligado a outras frentes do conflito. O que já está confirmado, por enquanto, é o ritmo dos bombardeios contra cidades ucranianas. Esse ritmo seguiu firme durante todo o fim de semana.
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