
Ataques militares voltaram a acontecer no Golfo Pérsico na primeira semana de setembro. O mercado internacional de petróleo, por sua vez, sentiu o impacto quase na hora. O preço do barril tipo Brent disparou. Mesmo assim, a OPEP+, grupo que reúne os principais países produtores do mundo, decidiu manter a produção como está, sem abrir as torneiras pra aliviar o preço.
Forças americanas atingiram petroleiros ligados ao Irã. Os alvos incluíram embarcações próximas ao Golfo de Omã e à ilha de Kharg, um dos principais pontos de exportação de petróleo iraniano. No mesmo período, o grupo houthi atacou instalações de energia e cidades da Arábia Saudita, deixando dezenas de feridos. Esse grupo, aliás, é apoiado pelo Irã e baseado no Iêmen. A Arábia Saudita, por sua vez, é um dos maiores aliados americanos na região. Juntos, os dois episódios reacenderam o temor de que o conflito entre EUA e Irã se espalhe pra outros países. Esse conflito, afinal, já vinha escalando havia semanas. Ele mexe diretamente com a rota que carrega boa parte do petróleo consumido no mundo.
O Golfo Pérsico concentra uma fatia enorme da produção mundial de petróleo. Boa parte dela, porém, passa pelo Estreito de Hormuz, uma passagem estreita entre o Irã e a Península Arábica. Qualquer sinal de risco militar nessa região costuma fazer o preço do barril subir rápido. Isso vale tanto pra um ataque direto a um petroleiro quanto pra só a ameaça de bloqueio da rota. Afinal, o mercado passa a temer que menos petróleo chegue aos compradores no curto prazo. Foi exatamente esse medo que empurrou o preço do Brent pra cima logo depois dos ataques.
Diante desse cenário, seria de se esperar que a OPEP+ aumentasse a produção pra segurar o preço. Isso, afinal, ajudaria a evitar um choque energético maior. O grupo, porém, escolheu o caminho oposto. Decidiu manter a produção estável, sem alterar as cotas já combinadas entre os países membros. Na prática, isso é uma aposta de que o mercado consegue absorver o choque sozinho, sem precisar de uma intervenção extra. Também evita, dessa forma, que os países produtores abram mão de receita justamente num momento em que o preço já está mais alto por causa da tensão política.
Não há garantia de que essa aposta vá se sustentar. Os ataques no Golfo, afinal, podem continuar ou escalar ainda mais nas próximas semanas. Um bloqueio real do Estreito de Hormuz, mesmo que parcial, mudaria completamente a conta. Isso forçaria a OPEP+ a reconsiderar a decisão tomada agora. Por enquanto, o grupo prefere esperar pra ver se a escalada militar se estabiliza. O mercado, no entanto, seguirá de olho em qualquer novo desenvolvimento na região, pronto pra reagir na primeira notícia de um novo ataque.
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