
Não é a primeira vez que a Argentina chama as Ilhas Malvinas de território roubado. Mas a ameaça desta semana tem um alvo mais concreto. Em pronunciamento na televisão, o presidente Javier Milei prometeu sancionar empresas que perfuram petróleo no arquipélago. O Reino Unido controla a região desde o século 19. E o momento não parece coincidência. A ameaça chega dias depois de Trump sinalizar uma mudança. Segundo ele, os Estados Unidos podem abandonar a neutralidade histórica sobre quem manda ali.
Milei mirou um projeto específico, o campo Sea Lion. É um campo de petróleo em águas profundas. A britânica Rockhopper Exploration opera o projeto. A israelense Navitas Petroleum é sócia dela. Segundo o governo argentino, empresas que continuarem explorando petróleo ali vão sofrer retaliação direta. Milei chama essa exploração de violação da soberania argentina. Para o país, o arquipélago é a Malvinas, tema sensível desde a guerra de 1982 contra o Reino Unido.
Segundo o anúncio, a punição não para na Rockhopper e na Navitas. Fornecedores, acionistas e diretores das empresas também entram na mira. Milei disse ainda que essas companhias podem ser banidas de qualquer atividade dentro da Argentina. Não é só o setor de petróleo. É uma ameaça ampla, pensada para pressionar toda a cadeia econômica ao redor do projeto.
O momento chama atenção. Dias antes do pronunciamento de Milei, Trump afirmou algo novo. Segundo ele, os Estados Unidos estão revisando a posição neutra sobre a disputa das Malvinas. Washington nunca tomou partido explícito entre Argentina e Reino Unido desde 1982. Isso apesar de uma aliança militar próxima com Londres. Qualquer sinal de mudança nessa postura muda o cálculo político de Milei. Afinal, ele sempre cultivou proximidade pessoal com Trump.
Apesar de toda a ameaça, a Rockhopper minimizou o impacto prático. Em comunicado, a empresa disse não esperar efeito material sobre os planos do projeto. A guerra de 1982 deixou quase 900 mortos entre os dois países. E nunca resolveu de fato a disputa de soberania sobre o arquipélago. Resta saber se a ameaça de Milei é só aposta política. Ou se é o início de um capítulo mais duro dessa disputa que atravessa gerações.
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