Diário do Fim do Mundo

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Registro de Abrigo Nº 2026-0923
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Geopolítica e Relações Internacionais

Emirados Avisaram Netanyahu Sobre o 7 de Outubro, e Ele Guardou Segredo?

TayebMEZAHDIA via Pixabay, https://pixabay.com/photos/secret-top-stamp-spy-army-3037639/
TayebMEZAHDIA via Pixabay, https://pixabay.com/photos/secret-top-stamp-spy-army-3037639/

Uma ligação de 45 minutos virou o centro de uma investigação que sacode a política israelense. Ela aconteceu dias antes do maior ataque da história recente de Israel. Segundo o jornal Haaretz, o presidente dos Emirados, Mohammed bin Zayed, telefonou pra Netanyahu no fim de setembro de 2023. Ele avisou que o Hamas preparava uma grande operação militar. O aviso chegou cerca de dez dias antes do ataque de 7 de outubro. Mas, segundo a reportagem, Netanyahu não repassou a informação a ninguém da cúpula de segurança do país.

O que a investigação revela

A reportagem foi publicada em 8 de setembro de 2026. Ela se baseia num livro dos jornalistas Shlomi Eldar e Ruth Yuval, além de fontes majoritariamente anônimas. Segundo o relato, o alerta chegou a Bin Zayed por um caminho longo. O próprio líder do Hamas, Yahya Sinwar, teria comentado com um ex-autoridade palestina que preparava uma “operação aterrorizante”. Essa informação passou por um assessor emiradense. Só depois chegou ao presidente dos Emirados, que ligou direto pra Netanyahu.

Uma resposta calma demais

Netanyahu, segundo o Haaretz, recebeu o aviso com tranquilidade. Ele disse a Bin Zayed que via o Hamas mirando operações na Cisjordânia, não um ataque direto a Israel. Também garantiu que o país estava preparado pra qualquer cenário. O problema, segundo a investigação, é que essa avaliação nunca chegou aos responsáveis por agir sobre ela. Nem o chefe do Shin Bet, nem o da Mossad, nem o comandante do Exército souberam da ligação.

A negativa do gabinete

O gabinete de Netanyahu chamou a reportagem de mentira absoluta. Negou também que a conversa tenha acontecido daquela forma. Mas a resposta não convenceu os adversários políticos do premiê. O ex-comandante militar Gadi Eisenkot é hoje um dos principais rivais de Netanyahu na eleição de 27 de outubro. Ele disse que o premiê levou Israel “cegamente ao desastre”. Já o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett saiu em defesa da apuração, afirmando que o relato é verdadeiro.

Por que isso pesa tanto agora

Não é a primeira vez que surge um alerta ignorado antes do 7 de outubro. Diversas investigações já mostraram que serviços de inteligência de outros países levantaram sinais de que algo grande estava sendo planejado. Até setores do próprio serviço secreto israelense chegaram a essa suspeita. O que essa apuração acrescenta é um nome de peso do lado de fora. Um chefe de Estado aliado avisou diretamente o premiê, por telefone, pouco mais de uma semana antes do ataque. O ataque matou cerca de 1.200 pessoas e deu início à guerra em Gaza. Falta saber se essa peça nova vai virar munição concreta contra Netanyahu nas urnas. Ou pode só virar mais uma acusação na pilha que ele já enfrenta, sem nunca sair do cargo.

Fontes consultadas:

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