
Nuvens não costumam desenhar polígonos perfeitos ao redor de um planeta inteiro. Saturno já tinha um caso assim há mais de 40 anos, o famoso hexágono do seu polo norte. Agora o telescópio Hubble confirmou algo novo. O planeta escondia um segundo enigma geométrico, dessa vez no polo sul. É um decágono, forma de dez lados, girando lá embaixo. E os cientistas ainda não sabem explicar como ele nasceu.
O hexágono já era estranho, agora Saturno tem um parente no polo sul
A sonda Voyager registrou o hexágono do polo norte de Saturno ainda nos anos 1980. O padrão segue lá até hoje, quase intacto. Durante décadas, o polo sul do planeta nunca mostrou nada parecido. Isso mudou recentemente. Segundo a NASA, imagens do Hubble confirmaram um padrão atmosférico de dez lados regulares encobrindo o polo sul. É o primeiro grande formato geométrico persistente já observado nessa região do planeta.
A descoberta não começou dentro da NASA. O astrônomo Agustín Sánchez-Lavega e dois observadores amadores, Trevor Barry e Jean-Paul Oger, notaram algo em 2024. Viram pela primeira vez uma faixa ondulada sutil ao redor do polo sul. Imagens feitas da Terra em 2025 reforçaram a suspeita. Mas ainda não davam certeza. Só quando o Hubble entrou em ação, com imagens de alta qualidade, a equipe conseguiu confirmar o decágono de verdade. E ainda rastreou o início do fenômeno até 2023, quando ele começou a se formar sem que ninguém percebesse.
A escala do fenômeno impressiona. O decágono mede cerca de 167 mil quilômetros de largura. Cada um dos seus dez lados chega a 16.782 quilômetros de comprimento sozinho, mais do que o diâmetro da Terra inteira. A estrutura atravessa várias camadas da atmosfera de Saturno. Não fica presa numa faixa fina de nuvem. O hexágono do norte já é conhecido e estável há décadas. Já o decágono do sul parece estar se fortalecendo aos poucos. Isso dá aos cientistas uma chance rara. Podem acompanhar um padrão atmosférico gigante nascendo e crescendo em tempo real.
A explicação mais aceita até agora fala em uma onda atmosférica de grande escala. Ela ficaria presa verticalmente, confinada pela curvatura da corrente de jato dominante do planeta. Só que essa é apenas uma hipótese. Os próprios astrônomos admitem que ainda não sabem o que disparou o fenômeno. Também não sabem quanto tempo o decágono vai durar antes de se desfazer ou virar outra coisa. Enquanto isso, o Hubble continua de olho no polo sul de Saturno. Tenta flagrar cada mudança de um padrão geométrico que, até poucos anos atrás, ninguém sabia que existia.
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