Diário do Fim do Mundo

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Registro de Abrigo Nº 2026-0922
Nível de Contenção: Liberado
Geopolítica e Relações Internacionais

Documentos Secretos Revelam Arsenal Químico Escondido no Sudão?

ds_30 via Pixabay, https://pixabay.com/pt/photos/industry-power-generation-fuel-4855767/
ds_30 via Pixabay, https://pixabay.com/pt/photos/industry-power-generation-fuel-4855767/

Uma guerra civil que já dura mais de dois anos ganhou um capítulo mais sombrio nesta semana. Documentos obtidos pelo Washington Post apontam que as Forças Armadas Sudanesas construíram, em segredo, um estoque de armas químicas. Isso aconteceu durante o conflito contra o grupo paramilitar rival, as Forças de Apoio Rápido. A reportagem saiu em 5 de setembro de 2026. Segundo o jornal, o material reúne mais de 150 documentos, vídeos e fotografias. Também inclui mensagens de texto retiradas de celulares de oficiais sudaneses. Juntas, essas peças formam o retrato mais detalhado já divulgado sobre um programa que o governo do Sudão nega até hoje.

O que os documentos mostram

Segundo o levantamento, o programa nasceu em 2024. Naquele momento, o Exército tentava expulsar as Forças de Apoio Rápido de Cartum e de outras posições estratégicas. Os arquivos indicam que oficiais desviaram carregamentos de cloro originalmente destinados a estações de tratamento de água potável. Parte desse material teria virado matéria-prima para produzir ogivas de forma clandestina dentro de bases militares. Outros trechos descrevem testes de bombas aéreas rudimentares realizados no deserto, longe de olhares externos. O estoque final, segundo o Washington Post, chegou perto de 290 munições de cloro.

Um nome no centro da investigação

Os documentos apontam o oficial Tariq Madani como o principal responsável pelo programa. Ele já era conhecido antes dessa investigação. Em junho, o Tesouro dos Estados Unidos sancionou Madani. Segundo o governo americano, ele administrava uma empresa sediada no Sudão suspeita de movimentar recursos ligados ao Exército. A nova leva de documentos amplia o alcance dessas suspeitas. Ela liga Madani diretamente à produção e ao armazenamento das armas químicas.

Especialistas avaliam o material como confiável

Mais de duas dezenas de autoridades de inteligência ocidentais analisaram os arquivos a pedido do jornal. Inspetores de armas químicas e pesquisadores de direitos humanos também participaram dessa revisão. Segundo eles, o material é consistente e aparenta ser genuíno. Ainda assim, os próprios especialistas fazem uma ressalva importante. Uma confirmação definitiva exigiria acesso direto às instalações citadas nos documentos, algo impossível enquanto a guerra continuar. Isso significa que boa parte da avaliação depende de análise documental, não de inspeção no local.

O governo sudanês nega

O general Abdel Fattah al Burhan comanda as Forças Armadas Sudanesas e responde por Cartum. Ele negou publicamente que o país tenha desenvolvido ou usado armas químicas. A guerra civil no Sudão já provocou o maior deslocamento populacional do mundo, segundo a ONU. Mais de 11 milhões de pessoas estão fora de casa por causa do conflito. Nesse cenário, cada nova denúncia carrega peso político e humanitário. Resta saber se essa leva de documentos vai levar a alguma investigação internacional independente. Ou se vai só se somar à longa lista de acusações que a guerra do Sudão ainda não conseguiu esclarecer de verdade.

Fontes consultadas:

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