
Uma mancha verde no mar Mediterrâneo bastou pra colocar em xeque o abastecimento de água de um país inteiro. Desde o fim de agosto de 2026, uma floração de microalgas atingiu a costa de Israel. Ela entupiu os canais de captação de cinco das seis usinas de dessalinização do país. Juntas, essas estações respondem por cerca de 80% da água dessalinizada consumida pelos israelenses. Cientistas chamam o episódio de raro, e ninguém sabe ainda quanto tempo vai durar.
Segundo especialistas ouvidos pelo Washington Post e pela CNN, a floração se originou no delta do rio Nilo, no Egito. De lá, ela avançou pela corrente marítima até a costa israelense. Pesquisadores também levantam uma hipótese preocupante sobre o que pode estar alimentando esse crescimento acelerado. Parte do esgoto não tratado de Gaza pode estar chegando ao mar e servindo como fertilizante extra pra essas microalgas. O sistema de saneamento da região ficou destruído pela campanha militar israelense.
Com a maior parte da capacidade de dessalinização fora do ar, Israel passou a racionar água destinada à agricultura. O país também recorreu a reservas do mar da Galileia e de reservatórios locais. As autoridades tentaram um experimento pra conter a floração de algas. Mas, segundo o jornal israelense Haaretz, a tentativa não deu resultado. Isso fez o governo se preparar pra uma crise hídrica mais longa do que o esperado inicialmente.
O episódio expôs algo que muitos especialistas em segurança hídrica já suspeitavam, mas nunca tinham visto na prática. Israel construiu, ao longo das últimas duas décadas, um sistema de abastecimento de água. Esse sistema ficou quase totalmente dependente de grandes usinas costeiras de dessalinização. Funcionou bem enquanto nada saiu do previsto. Mas bastou uma floração de algas pra derrubar a maior parte dessa estrutura de uma só vez. Não foi um ataque nem uma falha técnica, e sim um fenômeno biológico.
As microalgas seguem se movendo pro norte da costa israelense. Isso preocupa autoridades responsáveis pela usina de Hadera, até agora a única grande estação que continua funcionando normalmente. Cientistas ainda tentam entender por que essa floração específica ficou tão mais agressiva do que episódios parecidos no passado. Também querem saber se o fenômeno pode voltar a acontecer nos próximos anos, por causa do aquecimento do Mediterrâneo.
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