Diário do Fim do Mundo

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Registro de Abrigo Nº 2026-0919
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Ciência e Meio Ambiente

Marte Tem um Lado Escondido Bem Mais Quente: O Planeta Morto Ainda Guarda Rocha Derretida?

WikiImages via Pixabay, https://pixabay.com/pt/photos/marte-mars-rover-viagem-ao-espao-67522/
WikiImages via Pixabay, https://pixabay.com/pt/photos/marte-mars-rover-viagem-ao-espa%C3%A7o-67522/

Por décadas, cientistas trataram o interior de Marte como algo uniforme. Um lado seria parecido com o outro, mais ou menos. Um estudo novo na revista Nature, porém, joga essa ideia fora. Uma equipe liderada por um ex-aluno do Caltech encontrou uma diferença de temperatura enorme lá dentro do planeta. Ela existe entre o hemisfério sul e o hemisfério norte, bem debaixo da superfície. Nenhuma sonda, até agora, tinha conseguido medir isso. A descoberta reacende, assim, uma pergunta antiga sobre Marte. Por que os dois lados do planeta parecem pertencer a mundos diferentes?

Uma técnica emprestada das marés

O responsável pelo estudo é Alexander Berne. Ele estudou no Caltech e hoje é pesquisador na Universidade do Arizona. Ele e a equipe usaram uma técnica chamada tomografia de maré. Ela mede, então, como a gravidade do Sol deforma o interior de Marte aos poucos. Essa deformação, porém, não é igual em todo canto do planeta. Ela varia conforme a temperatura da rocha logo abaixo da superfície. Também varia conforme a rigidez dessa rocha. Foi medindo essas pequenas variações que a equipe, enfim, mapeou o interior marciano pela primeira vez.

Até 400 graus de diferença

O resultado surpreendeu os próprios autores do estudo. O manto sob os planaltos do sul está bem mais quente, segundo eles. A diferença chega a 200 até 400 graus Celsius, comparado ao norte. É calor suficiente, portanto, pra manter rocha parcialmente derretida ainda hoje. Não é só um resquício de bilhões de anos atrás. Esse material derretido, porém, fica preso dentro da crosta espessa do sul. Ele não chega, assim, a erupcionar até a superfície. Em vez de vulcão, o resultado é uma intrusão presa. É como uma bolha de magma que nunca encontra saída.

Um mistério antigo que ganha pista nova

Marte sempre intrigou os cientistas por causa da própria geografia. O hemisfério norte é feito de planícies baixas e lisas. O sul, porém, é dominado por terrenos altos e cheios de cratera. Ninguém tinha, apesar de décadas de hipóteses, uma explicação definitiva pra essa divisão. A nova descoberta se encaixa, então, com outro dado antigo. Ele vem da sonda InSight, da NASA, aposentada em 2022. As ondas sísmicas registradas pela sonda se dissipavam mais rápido no sul. No norte, elas duravam mais tempo. Isso já era, afinal, um sinal de que algo ali embaixo era diferente. Agora existe, enfim, uma explicação física plausível.

O planeta que ainda não parou de esfriar

A descoberta não devolve a Marte o título de planeta vivo. Não existem vulcões ativos empurrando lava pra superfície. Mas o interior marciano ainda guarda bastante energia. Isso quase 4,5 bilhões de anos depois da formação do planeta. Os próprios pesquisadores apostam, então, numa explicação mais ampla. Esse calor preso no sul pode explicar o magnetismo irregular de Marte. Também pode dar pistas sobre pra onde foi a água do planeta. Fica a pergunta de até onde vai esse bolsão de calor. E se alguma missão futura vai conseguir perfurar fundo o bastante. Só assim dá pra confirmar, de vez, que existe mesmo rocha derretida lá embaixo.

Fontes consultadas:

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