Diário do Fim do Mundo

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Registro de Abrigo Nº 2026-0911
Nível de Contenção: Liberado
Ciência e Meio Ambiente

Um Pedaço de Gelo do Tamanho de Manhattan se Soltou da Groenlândia. Por Que Isso Preocupa Cientistas?

ELG21 via Pixabay, https://pixabay.com/pt/photos/inverno-iceberg-temporada-neve-3948461/
ELG21 via Pixabay, https://pixabay.com/pt/photos/inverno-iceberg-temporada-neve-3948461/

Satélites registraram rachaduras se espalhando pela geleira Petermann, no norte da Groenlândia. Isso aconteceu dias antes de um bloco inteiro se soltar de vez. Em 4 de agosto de 2026, essa fatia de gelo se desprendeu. Tinha 76 quilômetros quadrados, quase do tamanho da ilha de Manhattan. Ela virou, assim, um iceberg à deriva no Ártico. Foi, aliás, o maior desprendimento de gelo flutuante da geleira desde 2012. Segundo cientistas, não deve ser o último desse ano.

Como o gelo se rompeu

A Petermann é uma das maiores geleiras de saída da Groenlândia. Ela termina numa língua de gelo flutuante, que avança sobre o mar. Essa língua, aliás, vem sendo monitorada de perto há anos. Afinal, rachaduras cruzam boa parte da sua extensão. Pesquisadores da região dizem que o bloco liberado em agosto tinha cerca de 150 metros de espessura. Isso, então, equivale à altura de um prédio de 50 andares. Imagens de satélite mostraram as fissuras avançando rápido nos dias anteriores. Até que o pedaço se separou de vez do resto da geleira.

Por que os cientistas esperam mais

Pesquisadores identificaram outras duas seções grandes da língua de gelo. Elas têm rachaduras parecidas, ainda presas ao corpo principal da geleira. A expectativa é que essas partes também se soltem em algum momento. Isso deve acontecer conforme as fendas continuarem avançando. Cada novo desprendimento reduz a área da língua flutuante. Essa língua ainda protege o gelo terrestre atrás dela, funcionando quase como uma rolha. Quando essa proteção encolhe, o gelo que fica atrás escoa mais rápido. Ele segue direto para o oceano.

O que isso significa para o nível do mar

Gelo flutuante que já está na água não eleva o nível do mar quando derrete. Isso porque ele já desloca o próprio peso em água. O problema é outro. Esses blocos funcionam como um freio para o gelo que ainda está em terra. Sem esse freio, geleiras como a Petermann empurram mais gelo continental para o oceano. E esse gelo, sim, contribui para a subida do nível do mar. Cientistas agora vão acompanhar o iceberg recém-formado. Vão observar como ele se desloca e se quebra. Também de olho em efeitos sobre rotas de navegação no Ártico. A pergunta que fica é até onde essa língua de gelo ainda vai encolher antes de estabilizar.

Fontes consultadas:

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