
Uma reunião de líderes de ilhas do Pacífico foi o suficiente pra irritar Pequim. Ainda assim, o país anfitrião tem menos de 20 mil habitantes. Em 1º de setembro de 2026, o enviado especial da China pra assuntos do Pacífico avisou que vai “sempre haver consequências”. O motivo é a simples presença de Taiwan no encontro. Segundo ele, não é uma ameaça. Mas ninguém no Fórum das Ilhas do Pacífico duvidou do recado.
Palau é o país anfitrião do Fórum das Ilhas do Pacífico deste ano. Convidou o chanceler taiwanês Lin Chia-lung pra participar do encontro, junto de uma grande delegação de empresários de Taiwan. Pra Taipei, essa é uma das poucas janelas que ainda restam pra aparecer em fóruns internacionais. A maioria dos países corta relações diplomáticas com Taiwan sob pressão de Pequim. O representante chinês pra assuntos do Pacífico, Qian Bo, reagiu. Disse que Taiwan não é parceiro de diálogo do fórum e que a China tem sérias preocupações com a presença taiwanesa na reunião.
Qian Bo evitou detalhar quais seriam as tais consequências. Analistas ouvidos pela imprensa internacional, porém, apontam um padrão conhecido. Proibição de turismo, congelamento de empréstimos e atraso proposital em projetos de infraestrutura costumam recair sobre qualquer país que receba autoridades taiwanesas. Nesse caso, o alvo mais provável da retaliação chinesa seria o próprio Palau. Afinal, foi o país que sediou o encontro e hospedou a delegação de Taiwan.
A irritação de Pequim não vem sozinha. No mesmo início de setembro, o Ministério da Defesa de Taiwan entregou seu relatório anual sobre o poder militar chinês. Aliás, o documento foi enviado ao Yuan Legislativo, o parlamento do país. Este ano, o relatório dá mais destaque do que o do ano passado a um ponto específico. É o esforço do Exército de Libertação Popular pra reforçar a capacidade de realizar uma operação de desembarque na ilha. Isso inclui o uso de tecnologia de deepfake baseada em IA como parte da guerra híbrida chinesa. Inclui também o avanço de veículos de guerra eletrônica móveis.
Enquanto lida com a pressão externa, Taiwan também caminha pra outro momento decisivo. O registro de candidatos pras eleições locais de 2026 vai de 31 de agosto a 4 de setembro. A votação está marcada pra 28 de novembro. A China historicamente usa esse tipo de disputa interna taiwanesa como munição própria. Chama o principal partido de oposição a Pequim de separatista. Fica em aberto, então, uma dúvida. A ameaça feita em cima da reunião de Palau é só retórica de bastidor? Ou é o início de uma pressão mais concreta contra os próximos passos de Taiwan no cenário internacional?
Fontes consultadas: