
Uma arqueóloga cavava a poucos centímetros do asfalto, no centro de Tønsberg. É a cidade mais antiga da Noruega. De repente, ela viu um brilho saindo da terra. Dali saiu um anel de ouro com uma pedra azul, entalhada em fina filigrana. O anel ainda estava intacto, depois de mais de oitocentos anos enterrado. Pesquisadores anunciaram o achado em 2026. Ele reabre uma pergunta antiga na arqueologia escandinava. Afinal, joias como essa eram só símbolo de status? Ou também serviam de proteção contra o que a medicina da época não explicava?
A arqueóloga Linda Åsheim encontrou o anel numa camada de cultivo urbano. Estava a cerca de sete centímetros da superfície atual. Um galho de espruce, achado na camada logo acima, ajudou a datar o entorno. Segundo essa datação, o anel remonta ao período entre 1167 e 1269. Tønsberg é um dos grandes centros medievais da Noruega. Aliás, a cidade cresceu abaixo do antigo castelo real de Tunsberghus. Mesmo assim, achados como esse são raros por ali. Segundo o banco nacional de artefatos do país, existem cerca de 220 anéis de ouro registrados. Só 63 datam da Idade Média. Aliás, nenhum anel comparável havia aparecido em Tønsberg havia quase 15 anos.
O anel traz uma pedra azul de corte oval. Ao redor, há espirais finas de filigrana e pequenas esferas granuladas. Aliás, pesquisadores de joalheria medieval associam pedras dessa cor a crenças de cura. Também as ligam à proteção espiritual, comum entre nobreza e clero da época. Muitas dessas crenças misturavam tradições cristãs com práticas anteriores à conversão da região. Por isso, separar fé de superstição, nesse período, quase nunca é simples. Um objeto assim podia carregar várias funções ao mesmo tempo. Decorativa, religiosa e mágica, sem fronteiras tão nítidas quanto parecem hoje.
Nenhum documento da época descreve esse anel ou sua função original. Ou seja, a hipótese de proteção vem de comparação com outras peças. Não vem de uma prova direta. É possível que fosse só um item valioso. Um jeito de marcar riqueza ou posição social na cidade. Também é possível que o dono acreditasse na proteção da pedra azul. Contra doença, contra infortúnio, como sugerem pesquisas recentes sobre joalheria nórdica. Ainda assim, a resposta certa provavelmente morreu com quem usou o anel pela última vez. Isso aconteceu bem antes de perdê-lo ali, a poucos metros do centro da cidade que hoje conhecemos.
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