
Washington se prepara pra receber o líder chinês Xi Jinping num jantar oficial marcado pra 24 de setembro. Segundo o próprio Donald Trump, o encontro será o segundo entre os dois presidentes só neste ano. Antes veio a cúpula de maio em Pequim. “Vamos ter um jantar de Estado, e vamos fazer coisas ótimas com a China”, disse Trump a jornalistas na Sala Oval, segundo reportagem da Bloomberg.
Antes de pisar em solo americano, porém, Xi não vai direto pra Washington. Ele está circulando por países do Sul Global e do Oriente Médio. Uma das paradas é uma visita histórica ao Egito, a primeira de um chefe de Estado chinês ao país em uma década. O Egito, aliás, é um parceiro de segurança de longa data dos Estados Unidos. Isso torna essa aproximação ainda mais simbólica.
Segundo o Washington Post, essa sequência de viagens segue um roteiro claro. Primeiro consolida a influência chinesa na Eurásia. Depois passa pela presença econômica crescente no Oriente Médio e no Sul Global. Só então desemboca no encontro com Washington. A leitura de analistas é direta: Xi quer se apresentar como alternativa estável de liderança global bem na frente das câmeras, antes mesmo de sentar à mesa com Trump.
O clima entre as duas potências está longe de manso. Nos últimos dias, autoridades americanas acusaram publicamente seis empresas chinesas de inteligência artificial de roubo sistemático de tecnologia americana. É uma disputa que já vinha se arrastando havia meses. Ainda assim, Trump minimizou o atrito na hora de confirmar o jantar. Isso inclui as tensões ligadas aos laços comerciais de Pequim com o Irã, em meio à guerra no Golfo Pérsico.
Nenhum dos dois lados, até agora, confirmou publicamente uma pauta oficial de negociação pro encontro de 24 de setembro. O que se sabe é outra coisa: o simbolismo do jantar de Estado. Esse tipo de recepção costuma ser reservado pras relações mais próximas dos Estados Unidos. Isso já diz muita coisa sobre o peso que Washington está dando à relação com Pequim neste momento.
Dois encontros presidenciais num único ano não é rotina nas relações EUA-China. A repetição sugere que ambos os países têm interesse em manter um canal de diálogo direto aberto. Isso vale mesmo com as acusações cruzadas sobre IA, comércio e influência geopolítica. Mas também levanta a pergunta oposta: será que esses encontros frequentes são sinal de estabilidade? Ou seriam só um jeito de conter uma rivalidade que segue crescendo por baixo dos sorrisos protocolares? A resposta, essa sim, só vai aparecer depois do dia 24.
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