Diário do Fim do Mundo

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Registro de Abrigo Nº 2026-0916
Nível de Contenção: Liberado
Geopolítica e Relações Internacionais

Trump Aposta na Groenlândia: a Ilha Será Americana Antes de 2029?

nextvoyage via Pixabay, https://pixabay.com/pt/photos/islndia-o-glaciar-gelo-panorama-4156202/
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Uma promessa repetida em rádio conservador. Uma petroleira que já pousou equipamento sem autorização. E um país vizinho votando o próprio futuro na mesma semana. Os três fatos aconteceram juntos em agosto de 2026, e têm o mesmo pano de fundo. Donald Trump quer a Groenlândia, e essa vontade já mudou a rotina de pelo menos três países no Ártico.

Pode apostar, disse Trump

Em entrevista à emissora conservadora Real America’s Voice, Trump repetiu uma promessa antiga. Segundo ele, os Estados Unidos vão controlar a Groenlândia antes do fim do seu mandato, e qualquer aposta nesse sentido seria segura. A frase não chega a ser nova. Trump já tinha levantado a possibilidade de anexar o território dinamarquês outras vezes desde 2025. Só que repetir a promessa junto com movimentos concretos no terreno muda o peso da declaração. Discurso e ação, dessa vez, caminharam juntos.

Uma petroleira, equipamento sem autorização e um aviso oficial

No fim de julho, a empresa Greenland Energy moveu equipamento de perfuração até a Bacia de Jameson Land, no leste da ilha. O problema é que a Groenlândia nunca autorizou aquela movimentação. Larry Swets, presidente do conselho da empresa, é próximo de Trump, aliás. Já um representante da companhia chegou a dizer, numa reunião com moradores em junho, que existia permissão pra trazer o equipamento. Isso era falso. Por isso, o ministério de recursos minerais da Groenlândia confirmou que não havia nenhuma licença ativa pra qualquer exploração ali. O governo local emitiu então um aviso formal. Toda movimentação logística futura precisa ser avisada e aprovada antes de acontecer. Diante disso, a empresa adiou os planos pra o inverno de 2027.

A Dinamarca reforça as fileiras

Enquanto isso, a Dinamarca ampliou o próprio serviço militar obrigatório. Cerca de 1.600 recrutas começaram, em agosto, um novo período de conscrição de 11 meses. É quase o triplo dos 4 meses de antes. Pela primeira vez, também, um grupo de mais de 100 soldados dinamarqueses recrutados vai servir na Groenlândia, substituindo tropas profissionais por um mês. Em cúpula recente da Otan, a primeira-ministra Mette Frederiksen declarou que o país está pronto pra defender cada centímetro do próprio território, e citou a Groenlândia nominalmente. A frase soa direto pra quem acompanha as ameaças repetidas de Trump sobre a ilha.

O referendo que a Islândia decide hoje

A pressão sobre o Ártico também chegou à vizinha Islândia. Hoje, 29 de agosto, o país vota um referendo pra decidir se retoma as negociações de entrada na União Europeia. A votação, apenas, decide se as conversas recomeçam, não a entrada em si. Pesquisas de opinião mostravam disputa apertada às vésperas da votação, perto de 51% a favor contra 49% contra. Segundo analistas europeus, as ameaças de Trump sobre anexar a Groenlândia pesaram na decisão de reabrir esse debate. A ilha fica bem entre a Islândia e os Estados Unidos, o que torna essa vizinhança geográfica difícil de ignorar. Até o fechamento desta matéria, o resultado da votação islandesa ainda não tinha saído.

O que fica depois da votação de hoje

Ainda não existe nenhum plano público sobre como os Estados Unidos pretendem, de fato, controlar a Groenlândia até 2029. Também não está claro se a promessa de Trump é só uma estratégia de pressão. Ou se é, realmente, uma intenção de anexação territorial. Ainda assim, já dá pra medir o efeito colateral. Um país aumentou o próprio serviço militar. Outro decide hoje se reabre negociação com a União Europeia. Uma ilha ártica de pouco mais de 56 mil habitantes virou, de novo, centro de disputa entre potências. E olha que ela nem faz fronteira com nenhuma delas.

Fontes consultadas:

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