Diário do Fim do Mundo

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Registro de Abrigo Nº 2026-0916
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Geopolítica e Relações Internacionais

Reino Unido, Canadá e França Viram as Costas para Israel. O Que Muda com o Boicote aos Colonatos?

Pixabay user 2427999 via Pixabay, https://pixabay.com/photos/palestine-israel-bethlehem-wall-3152791/
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Reino Unido, Canadá e França decidiram parar de fazer negócio com a parte de Israel que ocupa terra palestina. Na terça-feira, dia 8 de setembro, os três países anunciaram o banimento ao lado de outros governos. A medida atinge produtos e alguns serviços vindos de colonatos israelenses instalados na Cisjordânia ocupada. A decisão junta doze países numa coalizão liderada por Londres. Ela marca, assim, a virada do discurso pra a ação contra um projeto que a ONU já trata como ilegal.

“Limpeza étnica”, segundo o Reino Unido

O chanceler britânico Ed Miliband anunciou as sanções em discurso na Câmara dos Comuns. Ele acusou Israel de conduzir uma “limpeza étnica” na Cisjordânia, termo raramente usado por um governo ocidental aliado do país. Miliband disse ainda que o Reino Unido vai além do banimento comercial. O motivo é sancionar empresas e pessoas físicas que apoiem a expansão dos colonatos daqui pra frente. Bélgica, Irlanda, Holanda, Noruega e Espanha, aliás, já tinham dado esse mesmo passo antes. Reino Unido, Canadá e França chegam, assim, atrasados a uma lista que só cresce.

O que motivou a decisão

Por trás do anúncio está uma escalada de violência que os próprios governos ocidentais monitoram de perto. Entre 11 e 24 de agosto, cerca de 80 ataques de colonos israelenses deixaram feridos ou destruíram propriedades na Cisjordânia. Ao longo de 2026 inteiro, mais de 1.040 palestinos já se feriram em episódios desse tipo. Setenta e nove morreram, incluindo 19 crianças, seja por ação de militares israelenses, seja por ação direta dos colonos. Esses números, portanto, servem de justificativa oficial pra a medida anunciada pelos três países.

A resposta de Trump

Do lado americano, a reação foi de cautela. Perguntado sobre a decisão dos aliados, Trump disse que quer entender por que isso aconteceu “de repente”. Ele prometeu, então, conversar tanto com Israel quanto com os países que aplicaram as sanções. Ele evitou dizer se os Estados Unidos se opõem à medida. Só afirmou que vai ouvir o que cada lado tem a dizer antes de se posicionar. Um funcionário ocidental informado sobre a ligação entre Trump e o primeiro-ministro britânico Andy Burnham, porém, deu um detalhe revelador. O presidente americano, segundo ele, não pediu nenhum adiamento da sanção durante a conversa. Isso é, aliás, um sinal de que Washington não pretende brigar publicamente com seus aliados por causa desse assunto.

Um racha no bloco ocidental?

A pergunta que fica é até onde essa distância entre os Estados Unidos e seus aliados mais próximos vai chegar. Reino Unido, Canadá e França continuam sendo parceiros de primeira linha de Washington na Otan e em várias outras frentes. Ainda assim, decidiram agir sozinhos numa questão que toca direto o principal aliado americano no Oriente Médio. Miliband já sinalizou que outras sanções, mirando empresas e pessoas específicas, podem vir a seguir. Falta saber se Israel vai revidar de alguma forma, e se Trump vai mesmo ficar só observando de fora.

Fontes consultadas:

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