
Eles vendem a inteligência artificial como o futuro perfeito da humanidade. Só que, em paralelo, vêm gastando fortunas pessoais construindo bunkers, comprando terreno em outro hemisfério e fechando a própria rota de fuga. A lista de nomes é a mesma que decide, hoje, os rumos da tecnologia global. E a pergunta que fica é simples. Eles sabem de algo que o resto do mundo ainda não sabe?
Peter Thiel mudou a família pra Buenos Aires em 2026. Segundo reportagens internacionais, ele cita três motivos: a carga tributária americana, o risco de guerra nuclear e um possível colapso causado pela própria inteligência artificial que ajuda a financiar. Thiel matriculou os filhos numa escola local e já se reuniu com autoridades argentinas. Também comprou terreno no Uruguai, como plano reserva. Um empresário argentino que segue lógica parecida resumiu o raciocínio numa frase direta. Segundo ele, no momento em que a China tomar Taiwan ou a Rússia tomar a Lituânia, o destino já está garantido em Buenos Aires.
Mark Zuckerberg constrói, no Havaí, um complexo de cerca de 570 hectares batizado de Koolau Ranch. O projeto já ultrapassou 270 milhões de dólares em custo total. Reportagens descrevem um abrigo subterrâneo de quase 500 metros quadrados dentro da propriedade. Ele tem porta reforçada contra explosão, saída de emergência por escada e fornecimento próprio de energia e comida. Zuckerberg confirmou a existência da estrutura, mas minimizou o tamanho dela. Ele chamou o abrigo de coisa pequena e disse que serve pra furacão, não pra fim do mundo. Ainda assim, trabalhadores da obra assinam acordo de confidencialidade. Mencionar o projeto nas redes sociais, inclusive, é motivo de demissão.
Sam Altman, presidente-executivo da OpenAI, já afirmou publicamente manter em casa um arsenal de sobrevivência. A lista inclui armas, ouro, iodeto de potássio e antibióticos. Também tem baterias, água e máscaras de gás usadas por forças de defesa. Ele ainda mantém um terreno em Big Sur, na Califórnia, pra onde pretende ir de avião em caso de emergência. Anos atrás, uma reportagem da New Yorker revelou algo curioso. Altman e Thiel tinham combinado fugir juntos pra Nova Zelândia em caso de pandemia grave. Altman disse depois que aquilo era brincadeira. Os itens que ele afirma guardar em casa, porém, não parecem exatamente uma piada.
Por que a Nova Zelândia virou o refúgio favorito do Vale do Silício
A Nova Zelândia se consolidou como destino preferido de bilionários da tecnologia em busca de plano B. Pelo menos sete empreendedores do setor já compraram bunkers da empresa americana Rising S Co. Todos instalaram os equipamentos em solo neozelandês nos últimos anos. Dois desses abrigos pesam 150 toneladas cada um. Eles ficam enterrados a mais de 3 metros de profundidade. A distância da Nova Zelândia em relação aos principais focos de tensão geopolítica ajuda a explicar o interesse. Um sistema político estável também pesa na escolha. Mas não explica tudo.
Medo genuíno ou seguro de luxo?
Existe uma leitura simples pra tudo isso. Gente rica sempre se preparou pra cenário ruim, e isso não é exatamente novidade histórica. Mas existe outra leitura, mais incômoda, que nenhuma dessas reportagens resolve sozinha. Por que justamente as pessoas que constroem e financiam a inteligência artificial mais avançada do planeta são também as que mais investem em fugir dela? Nenhum dos bilionários citados detalhou publicamente qual cenário específico teme mais. Enquanto isso não muda, a dúvida sobre o que eles sabem, e o resto do mundo não sabe, segue sem resposta.
Fontes consultadas: