Diário do Fim do Mundo

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Ciência e Meio Ambiente

Tubarão Que Vive 400 Anos Não Perde a Visão: o Segredo Genético Que Intriga Cientistas

Franziska_Stier via Pixabay, https://pixabay.com/photos/shark-deep-sea-oceanic-9757306/
Franziska_Stier via Pixabay, https://pixabay.com/photos/shark-deep-sea-oceanic-9757306/

Existe um animal vertebrado no fundo gelado do Ártico capaz de viver até 400 anos. Mas a parte mais estranha nem é a longevidade em si. É que, segundo um novo estudo, esse bicho praticamente não perde a visão com a idade, mesmo depois de séculos de vida. O tubarão-da-Groenlândia virou peça central de uma pesquisa publicada na revista científica Nature Communications. Veículos internacionais destacaram o achado em agosto de 2026.

Um vertebrado fora da curva

O tubarão-da-Groenlândia (Somniosus microcephalus) já era conhecido por bater recordes de longevidade. Estudos anteriores usaram datação por radiocarbono no cristalino do olho. Já indicavam que alguns exemplares passam dos 300 anos, quase 400. Só que viver tanto tempo deveria cobrar um preço alto do corpo, sobretudo dos olhos. Em humanos, por exemplo, uma vida hipotética de 400 anos provocaria perda de 50% a 90% das células fotorreceptoras da retina. Isso, pelo menos, segundo as taxas de degeneração conhecidas hoje.

O que os cientistas encontraram

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Irvine analisaram amostras de tubarões com mais de cem anos de idade. Não encontraram sinais claros de degeneração retiniana. Ou seja, o tecido que capta luz no fundo do olho desses animais segue praticamente intacto. Isso mesmo depois de mais de um século de uso contínuo. A equipe, liderada pela pesquisadora Dorota Skowronska-Krawczyk, identificou um mecanismo de reparo de DNA. Ele atua de forma muito mais eficiente do que se imaginava e protege as células da retina do desgaste natural que a idade normalmente traz.

Visão adaptada à escuridão, não cegueira

Por muito tempo, correu a suposição de que esses tubarões seriam praticamente cegos. Isso porque muitos exemplares têm parasitas grudados nos olhos. O novo estudo derruba essa ideia. O sistema visual do animal parece, na verdade, especialmente adaptado às condições de pouquíssima luz do habitat ártico. Não parece danificado nem inutilizado pelo tempo. Faz sentido: um predador que vive centenas de anos em águas profundas e escuras precisaria de um sistema ocular durável. Então, a evolução parece ter resolvido esse problema de um jeito que a ciência só está entendendo agora.

O que isso pode significar para humanos

A descoberta interessa a cientistas muito além da biologia marinha. Entender esse mecanismo de reparo de DNA pode abrir caminho para tratamentos futuros. Tratamentos que retardem a perda de visão ligada à idade em humanos, um problema que afeta milhões de pessoas conforme envelhecem. Ainda é cedo para falar em aplicação médica concreta. Afinal, o caminho entre descobrir um mecanismo num tubarão do Ártico e transformar isso em tratamento humano costuma ser longo. Mesmo assim, a pesquisa acrescenta uma peça e tanto ao quebra-cabeça. Um quebra-cabeça sobre por que certos animais praticamente escapam do relógio biológico que rege o resto do reino animal.

Fontes consultadas:

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