
A disputa judicial entre OpenAI e Apple ganhou um novo capítulo em agosto de 2026. O tom, aliás, ficou bem mais ácido dos dois lados. A Apple processa a OpenAI e dois ex-funcionários por suposto roubo de segredos comerciais. Mas a defesa da OpenAI decidiu não jogar no time da educação corporativa. Chamou o processo de “podre desde a raiz”. Dias depois, a Apple respondeu na mesma moeda.
A Apple acusa a OpenAI e dois profissionais contratados, que antes trabalhavam na fabricante do iPhone. Segundo o processo, os dois teriam usado entrevistas de emprego como desculpa para extrair informação confidencial. Essas conversas de contratação, então, teriam servido para captar detalhes sobre projetos internos de inteligência artificial. Ou seja, uma manobra silenciosa de espionagem corporativa disfarçada de recrutamento.
Em 5 de agosto, a OpenAI apresentou uma moção de 31 páginas pedindo a dispensa total do processo. Os advogados da empresa argumentam algo direto. Dizem que a Apple nem sequer descreveu direito quais informações considera segredo comercial. Também não provou ser dona de nada realmente protegido por lei. Uma frase do próprio texto resume o tom da defesa: “a OpenAI não tem uso, necessidade ou desejo pelos segredos comerciais da Apple”. Segundo a moção, a OpenAI estaria construindo algo completamente diferente de qualquer coisa que já existe dentro da Apple. Então, não faria sentido nenhum copiar tecnologia de quem está anos atrás na corrida por IA.
A Apple não deixou por menos. Em 19 de agosto, reafirmou em nova petição que existe sim “apropriação indevida generalizada” de segredos comerciais. Segundo a empresa, a tentativa da OpenAI de encerrar o caso antes mesmo de ele ser julgado não muda os fatos apresentados. A treta virou também uma queda de braço de narrativa. De um lado, a OpenAI insinua que a Apple processa por despeito, incapaz de reter talento e de colocar IA de verdade dentro do iPhone. Do outro, a Apple trata o caso como prova de que gigantes de IA jogam sujo para vencer a corrida por talento.
O juiz responsável marcou audiência sobre a moção de dispensa para 1º de outubro de 2026. Até lá, o caso segue como um retrato bem específico da tensão que existe hoje entre empresas de tecnologia. De um lado, quem domina hardware e não quer ficar para trás em software de inteligência artificial. Do outro, quem lidera IA generativa e não quer perder engenheiros para ninguém. Tanto faz quem ganha o processo. Afinal, o episódio já expõe algo maior do que uma disputa de segredo comercial. Mostra até onde a briga por talento de IA está disposta a chegar dentro dos tribunais americanos.
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