
Desde 2 de agosto de 2026, a lei europeia de inteligência artificial mudou uma regra básica de convivência com máquinas. Sistemas que interagem direto com pessoas agora precisam admitir que não são humanos. A regra faz parte do AI Act. Ela chegou bem no momento em que chatbots e assistentes de voz viraram parte do dia a dia de milhões de pessoas.
O Artigo 50 da lei detalha quatro obrigações. A primeira cobre interação direta. Um chatbot, assistente de voz ou agente de IA precisa avisar que quem está do outro lado é uma máquina, a menos que isso já fique óbvio pelo contexto. A segunda cobre conteúdo sintético, ou seja, toda imagem, áudio, vídeo ou texto gerado por IA. Isso inclui deepfake, que precisa vir marcado de forma legível por máquina. A terceira exige um passo a mais: quem divulga um deepfake retratando pessoa, lugar ou evento real também precisa avisar isso de forma explícita. A quarta, por fim, obriga empresas que usam IA pra reconhecimento de emoção ou categorização biométrica. Elas precisam informar o usuário, exceto em casos específicos previstos por lei.
Quem descumprir qualquer uma dessas obrigações arrisca multa pesada. O valor chega a 15 milhões de euros ou 3% do faturamento global da empresa, o que for maior entre os dois. Provedores de sistemas generativos que já estavam no mercado antes de 2 de agosto, porém, ganharam um respiro. Eles têm prazo até dezembro deste ano pra se adequar às regras de marcação de conteúdo.
A União Europeia tem histórico de exportar suas regras de tecnologia pro resto do mundo, o chamado efeito Bruxelas. Foi assim com a LGPD brasileira, inspirada na lei europeia de proteção de dados. É bem provável que aconteça de novo agora. Empresas de tecnologia, afinal, preferem adotar um único padrão global de conformidade. Manter versões diferentes de produto pra cada mercado sai mais caro e complica a operação. Por isso, recursos como aviso de IA e marcação de deepfake tendem a aparecer também em produtos vendidos fora da Europa. Isso vale mesmo sem lei equivalente ainda em vigor no Brasil.
Fica a dúvida sobre o quanto essas regras realmente mudam o comportamento das empresas. Ou se viram só mais um aviso de rodapé que ninguém lê. A fiscalização começou agora, e é ela que vai dizer se a exigência pega ou fica só no papel.
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