
A inteligência dos Estados Unidos passou a levar a sério uma possibilidade que, até pouco tempo atrás, parecia distante. A Rússia pode atacar diretamente um país da OTAN antes mesmo de fechar a guerra na Ucrânia. A janela avaliada abre já em setembro deste ano e se estende até 2029. Mas o que exatamente esse ataque poderia ser, e a Europa está pronta pra ele?
Segundo agências de inteligência dos Estados Unidos, o risco cresce entre setembro e novembro deste ano, no outono do hemisfério norte. Essa avaliação não trata de uma invasão clássica, com tanques cruzando fronteira. Ela aponta pra um espectro de ações que vai do mais barato ao mais grave. No topo mais simples está um ataque cibernético contra infraestrutura de um país aliado. Mais grave são as operações híbridas: sabotagem, grupos armados sem identificação ocupando um pedaço de território, ou ataques de bandeira falsa. Esses últimos, aliás, costumam ser montados pra parecer obra de outro agente.
Muitos especialistas, aliás, já consideram que a Rússia trava essa guerra híbrida contra o Ocidente há tempos. Isso acontece mesmo sem um confronto declarado. O número de incidentes suspeitos de sabotagem russa cresceu entre 2023 e 2024. Os alvos incluem gasodutos e cabos de comunicação submarinos, infraestrutura crítica que sustenta a vida digital de países inteiros. Cada um desses episódios, isolado, parece um acidente ou um crime comum. Juntos, porém, formam um padrão. Analistas de segurança europeus já monitoram esse padrão de perto.
Do lado da aliança, o almirante italiano Giuseppe Cavo Dragone preside o Comitê Militar da OTAN. Ele afirmou que a organização estuda adotar uma postura mais proativa em cibersegurança. Isso inclui avaliar ações preventivas contra a Rússia. É algo que rompe com a lógica tradicional, puramente defensiva, que orientou a aliança por décadas. A mudança de postura, porém, ainda enfrenta resistência entre países-membros. Afinal, agir de forma preventiva contra Moscou levanta questões jurídicas e políticas complexas.
Análises recentes de segurança europeia, no entanto, apontam um problema prático. Boa parte dos países do continente ainda não tem capacidade militar à altura de um confronto direto com a Rússia. Também falta, em muitos casos, um plano de contingência pra esse cenário, híbrido ou não. Resta saber, então, se a OTAN consegue fechar essa lacuna antes que a janela de risco se abra de vez.
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