
Uma cúpula de gelo do tamanho de Luxemburgo, na Groenlândia. Derretida por completo. Há sete mil anos. E, segundo os cientistas que encontraram a prova disso enterrada 509 metros abaixo do gelo atual, o mesmo cenário pode estar se repetindo agora, bem debaixo dos nossos pés no sentido literal.
A equipe de pesquisa perfurou o Domo de Prudhoe, uma cúpula de gelo de 2.500 km² no noroeste da Groenlândia. Foi até alcançar os sedimentos que ficam sob a base da geleira. Ali embaixo, usaram uma técnica chamada datação por luminescência. Sedimentos enterrados acumulam elétrons presos em minerais por radiação natural, e esses elétrons só se soltam quando o material volta a receber luz. Medindo esse sinal, os pesquisadores conseguiram datar com precisão quando aquele pedaço de chão esteve exposto pela última vez, sem gelo nenhum por cima.
A resposta veio direto: o Domo de Prudhoe desapareceu completamente há sete mil anos, e só voltou a se formar depois. O estudo foi publicado na revista científica Nature Geoscience, o tipo de publicação que exige revisão rigorosa antes de aceitar uma conclusão dessas.
O detalhe mais alarmante não é a idade do fenômeno, é a temperatura que causou aquele degelo. Segundo os pesquisadores, as condições térmicas que derreteram o Domo de Prudhoe há sete milênios são próximas das que o planeta deve atingir até 2100. Isso está dentro das projeções atuais de aquecimento. Se a calota já cedeu por completo uma vez sob esse patamar de calor, fica uma pergunta no ar. Será que o gelo do Ártico é mais frágil do que os modelos climáticos assumiam até aqui?
O estudo não afirma que o degelo total vai se repetir na mesma velocidade ou na mesma escala. Ele mostra, isso sim, que já aconteceu sob temperatura parecida com a que se espera pra frente. Cabe à próxima rodada de pesquisa tentar entender quanto tempo um colapso desse tamanho levaria pra acontecer de novo. E quanto disso já está em curso.
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