
Uma ferramenta de imagens dentro de um chatbot bastou pra transformar fotos comuns em imagens sexuais falsas. Isso, sem consentimento de quem aparece nelas. O recurso pertence ao Grok, assistente de inteligência artificial da xAI, empresa de Elon Musk. Ele já rendeu processos nos Estados Unidos. Também abriu investigações na União Europeia, no Reino Unido e na Califórnia. A pergunta que fica no ar é simples. Até onde vai a responsabilidade de uma empresa de IA? Principalmente quando a própria ferramenta viola a imagem de pessoas reais.
Uma das ações mais comentadas veio de Ashley St Clair. Ela é influenciadora e mãe de um dos filhos de Elon Musk. Ashley processou a xAI, acusando o Grok de gerar imagens sexuais falsas dela mesma, sem qualquer autorização. Do outro lado do Atlântico, um parlamentar britânico entrou com uma ação parecida. Ele acionou a Justiça do Reino Unido, também contra a xAI. Em março de 2026, outro processo chegou à Justiça federal da Califórnia. Esse processo alegou que o Grok alterou fotos e vídeos de três jovens, transformando-as em imagens sexualizadas. Segundo a ação, material parecido envolvendo menores de idade também circulou depois disso.
A União Europeia abriu uma investigação formal contra a xAI. O motivo é o recurso de imagens do Grok. O Ofcom, órgão britânico que regula comunicações, fez o mesmo no Reino Unido. Nos Estados Unidos, a Procuradoria-Geral da Califórnia enviou uma notificação formal à empresa. Assim, ela exige explicações sobre a ferramenta. Enquanto isso, o estado americano de Minnesota aprovou uma lei específica contra tecnologia de nudificação por IA. A lei se chama HF 1606. A xAI tentou barrar essa lei na Justiça, antes que ela entrasse em vigor. Um juiz federal negou o pedido em julho de 2026. Segundo ele, a empresa recorreu tarde demais.
O caso do Grok expõe um limite que ainda não está bem definido em lugar nenhum do mundo. Afinal, quem responde quando uma ferramenta de IA cria, sozinha, conteúdo que prejudica uma pessoa real? Isso, sem que ela tenha feito nada além de existir numa foto. A xAI, até agora, segue enfrentando as ações na Justiça. Ainda não anunciou mudanças estruturais no produto. Os próximos meses de julgamento, em diferentes países, devem trazer uma resposta. Empresas de inteligência artificial vão passar a responder de forma direta pelo que suas ferramentas geram? Ou o peso continua recaindo, principalmente, sobre quem processa depois do estrago feito.
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